segunda-feira, 30 de maio de 2016

Dois anos e sete meses. Dois anos e sete meses. Dois anos e sete meses. Eu poderia incluir os dias, horas minutos e até os segundos para melhor demonstrar o tempo em que me afastei desse blog. Por que? Porque não tinha mais vontade de escrever. Achei que meu tempo seria melhor aproveitado se me dedicassse a carreira e a minha vida pessoal. O resultado? Engano.
O que mudou? Em minha vida profissional eu posso dizer que estou numa posição estável ( para aqueles acreditam que isso é bom, ótimo). Tenho um nome, trabalho em lugares que eu aprecio e meu trabalho me faz feliz.
E na minha vida pessoal? Tudo mudou. Nada mudou. No começo a novo sempre é bom, traz satisfação, mas com o passar do tempo, não tendo sido criadas raízes, o novo se torna velho. E vamos combinar que nossa sociedade não aprecia o que é velho.
Escrevo hoje porque preciso escrever, afinal isso não mudou. Escrever ainda é uma âncora de felicidade, de alegria.
Pessimista? Não mais, talvez conformada, mas em busca daquela criança sonhadora. Quando eu a encontrar, sei que a vida se resolverá( desculpe a rima, piegas, mas necessário).

domingo, 27 de outubro de 2013

Uma doce e amarga tristeza.


Ouvindo Maria Bethânia (Noite Luzidia) é impossível não refletir, não pensar na vida, na beleza e na poesia e como consequência sentir aquela tristeza doce que somente os que a sentem vão entender o que é, e a partir dessa sensação sentir uma lágrima correr em minha face.
Essa lágrima, que poderia ser apenas a exalação de uma forte emoção, mostrou para mim que uma inquietação cresce, a passos largos, dentro de mim, pois percebo que o mundo que aprecio, a música repleta de reflexões e beleza, está prestar para acabar.
Angustiada, penso no que restará: músicas monossilábicas, com grunhidos como arranjos, e enfeitadas com corpos transformados e danças erotizadas. Ao perceber o quanto isso está próximo de acontecer, vejo que essa dor é apenas minha, quero, mas não tenho encontrado ninguém que a queria dividir. Sinto uma solidão sem fim. Quão dura é essa solidão.

sábado, 28 de setembro de 2013

Uma febre social

Há algumas semanas, participei de um evento importante que recarregou minhas baterias o que vai possibilitar meses de tranquilidade. Porém, não pude deixar de observar uma realidade irritante: eu achei que tinha participado, mas a verdade é que não participei. Vou explicar melhor.
No dia seguinte (que dia seguinte que nada no mesmo dia), centenas de fotos relacionadas ao evento pipocaram nas redes sociais. Até ai tudo bem, mas o que me surpreendeu é que o fato de eu não ter me preocupado em postar fotos, fez com que as pessoas começassem a me perguntar onde eu estava, por que não tinha comparecido, etc. E foi aí que percebi que hoje não basta você dizer que esteve um determinado local, somente será realidade se você provar com coisas concretas como, por exemplo, fotos. Então tecnicamente, eu não estive lá.
Não tenho nada contra fotos ou contra as redes sociais. Em relação as redes sociais eu as uso com frequência e as fotos são uma fonte de alegria, pois cada vez que paro para ver fotografias é como se aquele momento que valeu a pena o click, estivesse novamente bem aqui na minha frente. Tudo vem à tona: as sensações, as cores, cheiros, o sentimento, enfim tudo. Mas em que momento nos tornamos tão superficiais e visuais, que precisamos não apenas registrar como também mostrar para todos nossas roupas, rostos sempre felizes, poses imponentes, e tudo para provar que somos alguém?
Talvez eu esteja sendo antiquada, mas não consigo ver o mundo fazendo sentido apenas quando eu mostro para as pessoas onde estou, com quem estou, o que estou fazendo, mostrando que estou bem, afinal para estar bem eu não preciso mostrar que estou, não há necessidade de provar através de uma rede. Talvez a explicação para isso seja uma matéria que eu vi esses dias no programa Saia Justa, onde especialistas diziam que hoje ninguém quer ser mediano, que todos querem ser protagonistas de alguma maneira. Faz todo sentido! Quando uma pessoa tem a necessidade de registrar e exibir cada momento de sua vida, ela está de alguma forma querendo se afirmar, mostrar que ela é sim protagonista e que como tal, precisa deixar isso "documentado".
O fato é que os fenômenos que acontecem nas redes sociais refletem o que acontece fora delas, sendo assim, a autoafirmação que está exposta nelas, é a mesma que as pessoas buscam fora delas. Seguindo esse raciocínio, concluo que ou o mundo está de alguma maneira doente ou eu é que vejo de maneira doente as coisas.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ler, pelo simples prazer de ler.


Quem me conhece sabe que sou apaixonada por literatura, especialmente a brasileira. Até hoje, lembro-me da sensação que tive ao ler Dom Casmurro, A Hora da Estrela, os maravilhosos contos de Luís Fernando Veríssimo, os poemas de Carlos Drummond de Andrade e de Vinícius de Moraes, entre tantas outras obras maravilhosas. Outro dia, lendo algumas postagens no Facebook, sobre a preferência dos jovens em relação à literatura, percebi que as obras que eles davam muitas estrelas em nada combinavam com o que é cobrado nas escolas e nos vestibulares e imediatamente associei essa informação ao comportamento que é observado nas aulas de literatura em muitas escolas. Então pensei: quem será que escolhe as obras de vestibular? Essa escolha é acertada?

Sobre quem escolhe há uma controvérsia: as instituições superiores dizem que cobram certas obras porque essas são trabalhadas no Ensino Médio. Por outo lado, as escolas dizem que trabalham com essas obras porque serão as cobradas em vestibulares. Independente dessa controvérsia, o fato é que é importante que as novas gerações tenham contato com grandes clássicos, pois isso dá aos jovens a oportunidade de crescerem culturalmente à medida que leem algo que reflete a história e sociedade do seu país.

Por outro lado a questão é: será que cobrar de adolescentes a leitura desses clássicos é realmente uma decisão acertada? Pensei na minha própria experiência. Comecei a ler muito cedo, e talvez devido a minha personalidade mais introspectiva os livros tornaram-se meus melhores amigos. No Ensino Médio, fui apresentada aos clássicos e tive duas sensações: por um lado senti muita excitação. Como aqueles autores podiam escrever tão bem, colocar em palavras sentimentos e visões de mundo tão profundas? Ficava totalmente impressionada.   Por outro lado, tinha muita coisa que eu não compreendia bem, e não sabia o porquê.

Quando comecei a estudar literatura na faculdade, entendi as nuances literárias que haviam ficado obscuras na minha adolescência e pude compreender o motivo pela qual não as havia visto antes: maturidade e experiência. Para entender muitas coisas, essas características são fundamentais. Fato que prova isso é que ao ler Dom Casmurro, pela primeira vez, eu amei a obra, mas nem de longe conseguia entender porque Machado de Assis foi um gênio ao escrever o livro. Sabia que era bom, mas não sabia porque. Ao ler, novamente, aquela obra com mais idade, mais experiência eu entendi tudo! É como se uma cortina se abrisse diante dos meus olhos! Foi surpreendente.

Pensando em tudo isso, conclui que muito que os alunos leem, mas não gostam, talvez seja porque eles não conseguem entender, pois não é a hora de entender. Muitos justificam dizendo que os jovens de hoje não gostam de ler, mas essa “verdade” já foi derrubada há muito. E que talvez o gosto e prazer da leitura, devam ser cultivados e a leitura de clássicos, não seja uma obrigação escolar, e sim um prazer pessoal.

Será que é o fim do romance na educação?

Antes de tudo, sei que é chato um profissional constantemente de sua profissão, mas não posso deixar de falar.
Recentemente, participando de um treinamento, ouvi uma frase interessante que dizia mais ou menos isto: "Querendo ou não, somos uma instituição que visa lucro, e sendo assim os alunos são nossos clientes". Depois que ouvi essa frase não pude deixar de pensar nela.
Raciocinando sobre a frase acima, é verdade que uma instituição de educação privada, visa o lucro financeiro, afinal se não entra dinheiro, como as famílias que dependem do trabalho ali se manterão? Somos uma sociedade capitalista e como tal, o dinheiro é fundamental. Ao mesmo tempo, fiquei pensando no quanto a frase acima pode ser perigosa.
Há uma máxima no comércio que diz que o "cliente sempre tem razão". Partindo dessa máxima e fazendo uma associação de quem é nosso cliente, o estudante, podemos concluir que ele sempre vai ter razão. É assim, o estudante sempre tem razão?
É bem verdade que o nosso "cliente” deve ter voz e essa merece ser ouvida. Afinal ele tem uma visão que gestores e professores talvez não tenham, e ouvir o que eles têm a dizer pode melhorar muito a qualidade de uma instituição educacional. Mas e quando o aluno, ou até mesmo seus pais, exigem coisas que vão ser prejudiciais para sua formação? Vivemos em um momento em que o que mais interessa é ter nossos desejos satisfeitos, mas sabemos que o que constrói o caráter é muitas vezes ouvir um não, errar, perder. E francamente, hoje, ninguém quer passar por essas situações. Principalmente alguém que é chamado de cliente.
Talvez por isso, é comum encontrarmos na mídia, professores reclamando que são coagidos pela sociedade a deixar passar muitas coisas, a aprovar alunos que são analfabetos funcionais, etc. Procurando não ser radical, fiquei pensando se não seria possível um professor encarar de modo positivo seu estudando como cliente e a conclusão que cheguei é que talvez seja positivo ter esse conceito. Pode ser sim positivo se cair à máxima de que o cliente sempre tem razão. Será que o comércio concordaria com isso? Será que isso é tudo que somos um comércio? Ou eu estou me prendendo a uma visão excessivamente romântica na educação?

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Agora eu sei.

Hoje, conversei com uma amiga e percebi o quanto me afastei de uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever. Ao constatar esta realidade ficou claro o porquê tenho andado tão desanimada, afinal escrever sempre foi uma fonte de alegria muito grande para mim.

Como pude deixar isso acontecer? Posso usar mil desculpas: estresse, muito trabalho, foco nos estudos, e por aí vai. Mas será que algum desses é motivo suficiente para deixar de fazer algo que gostamos tanto? Pensando nesse raciocínio, lembrei-me de uma campanha publicitária que entrevista pessoas que deixaram de lado seus sonhos devido ao cotidiano e pensei como as pessoas podem deixar algo assim acontecer? Agora eu sei.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ainda há razão para escrever, já que é possível respirar.


Muitos são os motivos que fizeram com que eu ficasse tanto tempo sem escrever. Mas com certeza o maior de todos foi à falta de motivação. Estava tudo cinza para mim, e quanto tudo está cinza não parece que há muito que dizer. Mas ontem a já tão comentada morte de Oscar Niemeyer levou-me a rever algumas coisas.

Ele foi um homem que nasceu em 1907. Sabe o que é isso? 1907? Quantas mudanças esse homem não viu? E embora tenha visto tanto não era saudosista, era moderno e sempre disposto a planejar. Sim ele com mais de cem anos e ainda tinha projetos. Também foi um homem que viveu 75 anos com uma mesma mulher e ficou viúvo, mas que aos 99 anos decidiu que ainda era tempo de se casar, de ser feliz.  Um homem generoso, não da boca para fora, mas em ações.

Sou de Brasília e amo morar aqui, o meu gosto por arquitetura e arte moderna e contemporânea aprendi olhando as curvas da cidade. Mas o cotidiano nos faz deixar passar a beleza.  Mas que cotidiano é esse que sufoca? Será que eu não posso evitar?

Niemeyer estava com 104 anos e ainda queria viver. Cem anos para ele foi pouco. Isso nos dá o que pensar. A vida é rápida. Assim o modo que vivemos esse pouco tempo é que importa. Para que se incomodar com coisas que não estão no nosso poder mudar? É pura matemática: eu só tenho um problema que pode ser resolvido. Se não há solução não é problema é uma situação, um fato, então por que permitir que essa situação mude a vida a ponto de não contemplar o que merece ser apreciado?

Grandes exemplos existem para que possam ser admirados e copiados. Então mesmo quando os dias estiverem cinzas, ainda há razão para escrever, ainda há o que dizer, já que ainda é possível respirar.