Esse fim de semana, eu
presenciei uma cena muito incomoda: uma conhecida chorando desesperadamente em
público, claro, ao dar um “testemunho” sobre todas as mazelas de sua vida. A
princípio fiquei comovida, depois fiquei com pena por vê-la daquele jeito, e por
fim achei tudo aquilo um absurdo. Primeiro porque não gosto de ver as pessoas
apelando para sentimentalismos com objetivo de comover os outros, e depois
porque no caso da moça em questão, ela não é uma pessoa sem informação que
deveria se deixar levar por esse tipo de cena, no caso dela ela tem excesso de
autocomiseração.
Gostei muito de
aprender essa palavra que significa “o ato de sentir pena de si próprio”. Ela tem muito significado para mim e explico
o motivo. Como todas as pessoas tive muitos problemas e traumas na infância, e
durante muito tempo eu me lamentava por isso. Achava que a vida tinha sido
injusta comigo, que minha família era pior que as outras, que eu era uma coitadinha
vítima dos colegas da escola, que eu não era bonita nem inteligente o suficiente.
Enfim minha vida era lamentar por algo que eu não tinha. Vivi dessa maneira
durante muitos anos.
No início da minha vida
adulta, tive o privilégio de passar por experiências incríveis que me mostraram
que a vida que eu tenho pode ser pior, melhor, igual, diferente, ela pode ser
tudo, e isso vai depender do ponto de vista de quem observa. E que um pouco de
trauma em qualquer fase da vida, nos torna pessoas melhores (claro que estou
falando de traumas simples e comuns, e não de monstruosidades). Desde então eu
não cultivo o sentimento da peninha de mim, vejo as coisas de um ângulo mais
racional, e com isso consigo focar no que vem depois, pois sei que por maior
que seja meu problema, uma hora ele terá fim.
Não sou uma pessoa que
está acima de sentimentalismos, pelo contrário, às vezes fico tão sentimental
que surto legal. Mas se a pessoa tem tanta pena de si mesma, a ponto de não
acreditar na sua vida, de sentir-se vítima de tudo e de todos, ok ela tem o
direito de fazer isso. Não dizem que somos livres? Mas daí a querer envolver
terceiros, insistindo que eles também tenham pena e tratem tal pessoa como coitada?
Isso eu acho demais, e sinceramente não estou disposta a fazer parte disso.
Para mim a
autocomiseração deve ser substituída por superação e autoestima.
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