Há algum tempo venho querendo
falar sobre a série Sessão de Terapia, apresentada no GNT, mas foram tantos
acontecimentos que fui adiando o tema. Mas hoje vendo mais um episódio tive que
correr para escrever.
Antes do início da
versão brasileira já tinha ouvido elogios sobre a série e por conta disso
esperava que a série fosse de qualidade, com uma boa direção, texto impecável,
etc. A verdade é que a cada episódio essa expectativa é superada. A versão
brasileira apresenta um clima intimista, música de qualidade, fotografia
elaborada e muitos mais. Os atores então são outro triunfo da série. Zécarlos
Machado, com seu Theo angustiado, cansado e disposto a largar tudo e recomeçar,
dá um show a cada noite. Júlia (Maria Fernanda Candido) e suas histórias
picantes e debochadas, tudo para desesperadamente conseguir que seu terapeuta a
veja como mulher, o que nada mais é do que o reflexo da relação que tem com os
homens; Breno (Sérgio Guizé) e seus conflitos diante da impotência da sua
condição após o problema no seu trabalho e a descoberta de que não ama mais sua
mulher; Bianca Müller maravilhosa como a jovem Nina que vive um drama em torno
da liberação de um papel, mas a sua verdade pode ser muito mais do que isso; e
como não se comover com os conflitos de Ana (Mariana Lima) e João ( André
Frateschi), um casal que nem ao menos sabe se quer salvar seu casamento, mas
que não consegue ficar separado; e fechando a semana com perfeição o próprio
Théo em sua terapia com Dora (Selma Egrei) onde ele expõe sua angústia do fracasso de seu
casamento com Clarice (Maria Luisa Mendonça), sua paixão pela paciente Júlia e
seu conflito ao se envolver demais com os dramas de seus pacientes.
Os atores cumprem bem
seu papel e conseguem emocionar de forma majestosa. Talvez devido à direção de
Selton Mello, que se consolida nessa nova função, mostrando que tudo que faz é
levado a perfeição.
O texto, fiel ao
original, é muito bem elaborado e abre uma importante questão a nós
telespectadores: estamos preparados para ver de perto conflitos tão densos como
os apresentados? Geralmente somos expostos a programas que falam muito
superficialmente sobre o ser humano, e um programa que mergulha na alma das
pessoas e toca em pontos tão profundos, acaba gerando angústia. Mas é esse o
objetivo de uma terapia: fazer o homem olhar para dentro de si, mergulhar
profundamente em sua alma e com isso gerar o autoconhecimento, que aplicado a
sua vida o faz viver melhor. E nós temos o privilégio de ver esse processo, não
como pacientes, ou terapeutas, mas vê-lo de fora. Apenas nós podemos dizer o
que faremos com essa experiência.
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