sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sessão de Terapia Coletiva



Há algum tempo venho querendo falar sobre a série Sessão de Terapia, apresentada no GNT, mas foram tantos acontecimentos que fui adiando o tema. Mas hoje vendo mais um episódio tive que correr para escrever.
Antes do início da versão brasileira já tinha ouvido elogios sobre a série e por conta disso esperava que a série fosse de qualidade, com uma boa direção, texto impecável, etc. A verdade é que a cada episódio essa expectativa é superada. A versão brasileira apresenta um clima intimista, música de qualidade, fotografia elaborada e muitos mais. Os atores então são outro triunfo da série. Zécarlos Machado, com seu Theo angustiado, cansado e disposto a largar tudo e recomeçar, dá um show a cada noite. Júlia (Maria Fernanda Candido) e suas histórias picantes e debochadas, tudo para desesperadamente conseguir que seu terapeuta a veja como mulher, o que nada mais é do que o reflexo da relação que tem com os homens; Breno (Sérgio Guizé) e seus conflitos diante da impotência da sua condição após o problema no seu trabalho e a descoberta de que não ama mais sua mulher; Bianca Müller maravilhosa como a jovem Nina que vive um drama em torno da liberação de um papel, mas a sua verdade pode ser muito mais do que isso; e como não se comover com os conflitos de Ana (Mariana Lima) e João ( André Frateschi), um casal que nem ao menos sabe se quer salvar seu casamento, mas que não consegue ficar separado; e fechando a semana com perfeição o próprio Théo em sua terapia com Dora (Selma Egrei)  onde ele expõe sua angústia do fracasso de seu casamento com Clarice (Maria Luisa Mendonça), sua paixão pela paciente Júlia e seu conflito ao se envolver demais com os dramas de seus pacientes.
Os atores cumprem bem seu papel e conseguem emocionar de forma majestosa. Talvez devido à direção de Selton Mello, que se consolida nessa nova função, mostrando que tudo que faz é levado a perfeição.
O texto, fiel ao original, é muito bem elaborado e abre uma importante questão a nós telespectadores: estamos preparados para ver de perto conflitos tão densos como os apresentados? Geralmente somos expostos a programas que falam muito superficialmente sobre o ser humano, e um programa que mergulha na alma das pessoas e toca em pontos tão profundos, acaba gerando angústia. Mas é esse o objetivo de uma terapia: fazer o homem olhar para dentro de si, mergulhar profundamente em sua alma e com isso gerar o autoconhecimento, que aplicado a sua vida o faz viver melhor. E nós temos o privilégio de ver esse processo, não como pacientes, ou terapeutas, mas vê-lo de fora. Apenas nós podemos dizer o que faremos com essa experiência.

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